domingo, 24 de novembro de 2013

Chatinho: O Reencontro

Acordar no dia seguinte e ficar com aquela sensação de e agora?
Quem nunca?

Comigo não poderia ser diferente.
Os olhos nem abriram direito, a mão procura o celular no criado mudo.
Pra minha sorte (ou azar) já tinha um torpedo dele me esperando. Nada demais, algo como : Bom dia, espero que tenha chegado bem.

As vezes me pergunto o que é melhor? Quando existe o contato ou não?
No meu caso, ele tinha deixado um sms, o que deveria responder? Devo parecer interessado? Demoro mais um pouco para fazer um charme?
E quando ninguém da sinal de vida no dia seguinte. Será que não gostou? O que eu fiz de errado? Devo mandar um torpedo? Não acho que vou ligar assim não tem como fugir.

Nas duas possibilidades minha cabeça sempre me enlouquece.

Dessa vez eu respondi, sutilmente: "Cheguei bem e por ai? Tudo tranquilo?"

E no decorrer dos próximos 2 dias não desgrudamos do celular, naquela época não existia whatsapp, porém mandávamos torpedos como se fosse o próprio aplicativo.
O medo de mostrar que estava afim foi embora a cada nova mensagem que recebia e a expectativa para o novo encontro estava cada vez maior.

Naquela segunda-feira passei o dia todo pensando nele, mal consegui trabalhar.
Voltei para casa mais cedo pois o combinado era um cinema a noite.

E ai novas dúvidas:

O que vestir?
Sobre o que falar?
Que filme assistir? Devo parecer cool e escolher um filme cult ou escolher um blockbuster para parecer despretensioso e divertido? WTH vamos assistir o filme?

Cheguei no combinado shopping (atrasado para variar), ele já estava me esperando na frente do cinema.

Escolhemos a comedia romântica "Encontro de casais" quando fui pagar o ingresso ele fez as honras...não sou acostumado a esse tipo de ação, fiquei meio sem graça mas enfim, o filme já estava para começar.

Logo depois dos trailers me assustei quando senti sua mão procurando a minha. Assim ficamos...de mãos dadas até o final do filme.
Ele me acompanhou até meu carro e me convidou para estender até sua casa para conversarmos um pouco. Por que não, certo?

Assim que entrei em seu apartamento fomos para o sofá e por la ficamos.
Engraçado como o tempo passa mais rápido quando estamos com alguém que nos prende a atenção.
Lá pelas tantas horas, depois de muito namoro no sofá, ele me pega pelas mãos (mãos grandes...estranho...me sinto protegido) e me leva para o quarto.

Ai surgem novas duvidas:

Devo ir pra cama no primeiro encontro? Certo que não é nosso primeiro encontro, já ficamos na balada antes, então esse seria o nosso segundo encontro, certo?
O que fazer? O que ele gosta? Sera que vai ser bom?

Vou deixar nas suas cabeças o que aconteceu no final dessa noite.
Posso garantir que não me sentia tão feliz assim a muito tempo.

Pena que essa felicidade estaria com os dias contados...

domingo, 10 de novembro de 2013

Chatinho - O Começo.


Lembro como se fosse hoje daquele reveillon.
Todos os amigos (que não foram viajar) estavam animados com a idéia de que eu passaria o reveillon com eles...sim...desde que vendi minha alma para a empresa onde trabalho, os feriados eram sempre uma incógnita. Eu confesso que estava animado com a possibilidade também.
Com a confirmação de que não passaria a virada de 2009 para 2010 no trabalho, combinamos de reunir nossas roupas brancas em uma badalada boate da capital paulista.
E la fomos nós rumo a metrópole!
Ao chegar o primeiro sentimento foi de nostalgia (sempre nostálgico), afinal naquele mesmo clube passei por ótimos momentos, fiz grandes amigos e muitas historias (quem sabe conto mais sobre isso em outro post).
Logo em seguida fui conferir as mudanças da casa desde a ultima vez que estive ali (aproximadamente 3 anos), quando me dei conta já era quase o grande momento, a contagem regressiva para a entrada de 2010.
Mesmo sem gostar de champagne tenho as meus rituais de reveillon: Uma taça e o primeiro minuto do ano sempre passar mentalizando coisas boas, fazendo minhas orações e pedidos.
Para não ficar estranho, em silencio por 1 minuto (acredite em mim, um minuto é muito tempo) tentei ser o mais breve nos meus mantras e voltar para a realidade. Linda queima de fogos, abraçando os amigos, aquela energia boa, tanta branco que me senti em um comercial de sabão em pó.
Mas agora é hora de curtir! 2010 uhull! Vamos dançar!
E como dançamos! Bebemos! Rimos! Já falei que bebemos?
Lá pelas tantas da madrugada ao andar pela pista de dança, que sempre esta cheia de descamisados que bebem muita agua (acho que agora descobriram onde eu estava, certo?) acabei trombando em uma parede humana, uns 2 metros de altura, barba por fazer, cara de lutador de MMA, a principio fiquei com medo...que passou em 5 segundos quando me agarrou e me beijou.
Sim, assim funcionam as coisas...pra que gastar tempo conversando? Primeiro vamos beijar, se o beijo der certo ai sim vale a pena uma conversa.
E mesmo valendo a pena, me senti intimidado com tanta altura e cara de mau. Fiz o que achei certo no momento, sorri e continuei andando.
Já longe do bad boy, ainda sem acreditar comecei a conversar sobre o ocorrido com minha amiga e a conclusão foi que não poderia ter começado melhor o ano.
Enfim, ainda eram 3 da manhã e muita coisa ainda aconteceria.
E la vamos nós novamente a dançar, a beber, a beber e a dançar.
Já cansado do som pesado usual da pista principal resolvemos ir nos divertir na pista menor e por la ficamos na mesma rotina de dança e bebida.
Em um certo momento vejo um olhar que se destacou dos outros, daqueles que realmente olham dentro dos seus olhos, te deixam sem graça, sem reação.
E assim fiquei...o máximo que consegui foi dar aquele sorriso tímido, meio sem graça..desarmado.
Esse sorriso foi a deixa pra ele se aproximar e assim como o beijo anterior e todos os outros sem falar nada, nem um oi aconteceu o nosso primeiro beijo...e que beijo.
Sabe aquele momento em que seus pés saem do chão? Que as borboletas tomam conta do seu estomago? que você esquece de tudo e todos e por um minuto (lembra que falei que é muito tempo) você descobre que é exatamente ali que você deveria estar?
Assim foi nosso primeiro beijo...
Quando abri meus olhos la estava ele segurando minha cintura. Não tinha pra onde correr mesmo.
Então começamos a parte mais difícil...iniciar uma conversa.
Quando falo que sou tímido ninguém acredita, por ser bastante comunicativo, escrever, todos acham que sou a pessoa mais articulada do munto (bobinhos..rs).
Além de ficar mega tímido quando vou conhecer alguem (deixando claro: alguem por qual eu tenha interesses sexuais) tinha outro fator contra: eu não consigo entender nada que me falam nas baladas, aquela musica alta...não adianta..simplesmente não dá.
Depois de perguntar meu nome ele tentou me dizer o dele, o qual eu não entendi. Na terceira tentativa ele fez algo que antes ninguém havia feito, com as mãos fez as letras de seu nome : C H A T O (Não, seu nome não era Chato, mas vamos chama-lo assim, ok).
Segundo beijo...e como milagre tudo se repetiu! Na minha cabeça logo surgiu o alerta, piscando em cores neon: Corra,  corra o mais rápido possível!
Pra variar utilizei minha melhor alternativa...a saída...
Sim...nos momentos que me sinto pressionado costumo sair de fininho.
Uns 30 minutos depois, novamente na pista principal ainda não tinha tirado aquele beijo da cabeça, quando ele aparece novamente...na minha frente. O pior, dessa vez eu não tinha como sair ou correr.
Tentou perguntar o por que sai andando, eu o beijei novamente. Dessa vez não sai.
Um remix de uma musica da Beyonce começou a tocar e ele brincando disse:
- Mês que vem vou comemorar meu aniversário no show dela.
- Como assim? Dia 6 de fevereiro é o MEU aniversário.
Ele com um olhar admirado disse:
- O meu é dia 7!
- Comemoraremos juntos então.
Foi ai que ele fez o que ninguém normalmente faz: segurou minhas mão e de mãos dadas fomos para a área externa, onde então iniciamos nossa conversa.
Depois de muito papo, algumas cervejas, o dia nascendo. Ele diz:
- Me deixe te levar para sua casa?
Rindo eu disse que ele não iria querer me levar pra minha casa.
Curioso, perguntou:
- Por que não levaria?
Respondi:
-Não moro em São Paulo, sou de Campinas.
Mais uma vez ele me olhou com cara de espanto:
- Eu também sou de Campinas!

Agora vamos parar tudo e analisar os fatos:
Como é possível em uma festa com duas mil pessoas, em uma balada que você não ia a 3 anos,  você beijar alguem, sair correndo, ser encontrado novamente por esse mesmo alguem, esse alguem fazer aniversário um dia depois do seu e ainda morar na mesma cidade?
Certo que eu menti a cidade...Já não morava em Campinas por algum tempo, mas quem sem importa? Moro a 25 minutos de Campinas!

Como é possível tantas coincidencias em apenas uma só noite? Isso sem falar que no meu momento de silencio o que pedi foi alguem, alguem que me faça feliz, que me faça sentir completo.

Como ele estava na casa de amigos em SP e eu tinha 2 amigos para levar embora, trocamos números de telefone, ele gentilmente esperou meu carro chegar comigo e como nos filmes nos despedimos, com a promessa de nos encontrar em 2 dias...em Campinas.
2 minutos depois o primeiro torpedo chega em meu celular:
- Obrigado por fazer minha noite valer a pena, dirija com cuidado. Não vejo a hora de te encontrar novamente.
E Foi assim que meu ano de 2010 começou...Foi assim que tudo começou...assim conheci o Chatinho...

PS = Chato não tem nenhuma ligação a alguma DST. Esse foi o apelido carinhoso que ele me deu com o passar do tempo: Chatinho.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quase 30

Sabe aquele dia em que você acorda com um nó na garganta sem saber o motivo?
Estou assim ja tem algumas semanas...
O engraçado é que a gente sempre sabe a razão de estarmos assim, porém dessa vez eu juro...juro que não sei.
São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que não dá pra culpar uma só.
Acho que são os 30 que estão cada vez mais proximos.
Até uns meses atras eu juro que não estava sentindo o peso dos 30 anos, mas parece que todos os sintomas resolveram aparecer ao mesmo tempo.
Primeiro foram os sintomas de velhice: Cabelos brancos que aparecem da noite para o dia, dores nas costas, nas pernas, nervo ciático.
Sem falar dos sintomas psicologicos: a ansiedade (certo que sempre fui ansioso, isso não é exclusividade dos balsequianos), a falta de alguem (aquele alguem que você imagina quando tinha 15, que estaria quando tivesse seus 30 anos),
a realização profissional.
Se eu pudesse me definir em uma palava nesse momento, acho que escolheria PERDIDO.
Voltando no passado me vejo novamente com 15 anos, onde a maior preocupação era com a prova de quimica.
Já ficou claro que sou uma pessoa extremamente nostalgica, né? Não que eu viva de passado, mas é tão menos dificil lidar com aquilo que você já conhece, analisar o que ja passou, como faria se acontece novamente.
Mas voltando ao tema de hoje, outro lance engraçado de ter quase 30 é o tempo que esses ultimos 10 anos demoraram para passar...confuso? Vou tentar me explicar: é uma sensação que esses 10 ultimos anos fossem equivalentes a uma vida toda.
A Intensidade dos 20 anos é algo que não cabe em uma trilogia.
Quando adolescentes temos uma fome de conhecer e saber de tudo, mas não temos a possibilidade que os 20 anos nos possibilita.
Os amores deixam de ser platônicos (existem exceções), o trabalho vira uma necessidade, a faculdade, as festas, o sexo...não necessariamente nessa ordem, não necessariamente separados.
Por isso nessa nova repaginada (literal, uma vez que estamos falando de uma pagina de internet...piada ruim) resolvi tratar de temas do presente, passado e futuro.
Por isso resolvi não apagar alguns posts antigos do meu ultimo blog pessoal. Se vamos mudar, que o passado esteja sempre presente pra não perder as raizes.
Enfim, já me perdi na linha do tempo e na linha de raciocinio portanto me despeço.
Quem sabe até logo.
Quem sabe até depois dos 30.